O lado preferido da calçada

“Hábitos masculinos. Alguns dirão que são antiquados; outros, românticos. Ao invés de discutí-los, eu me satisfaço em perpetuá-los. Dentre eles, o que mais valorizo é manter a mulher no lado interno da calçada. […] Não a deixarei perto da rua, vulnerável aos atropelos da vida, à visão elétrica dos carros, ao ataque dos assaltantes. Não que a esconda, cultivo mistérios. […] O cuidado de cuidar. Andar certas quadras com a sensação de proteger, desarma os homens. […] Mulher merece estar no lado de dentro do homem, no forro das árvores, com a paciência de nosso corpo e a escolta da linguagem. Rente aos portões, às portas, às marquises. Mais perto das vozes dos estabelecimentos e das sonoridades das janelas. No lado de dentro. Sempre. Qualquer que seja a palavra ou a avenida. Dentro de mim.”

Fabrício Carpinejar, Mulher Perdigueira.

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