Decidir para ninguém além de mim

oneway 
  Raras as vezes que me defini confusa: as pessoas me pedem conselhos e eu sempre sei escolher de qual lado do muro ficar, o que fazer – ou não fazer – o que falar, como agir.  Porém, quando o assunto me envolve, mal sei discernir bom de ruim: viro um emaranhado de ideias, prós, contras e consequencias. Acontece que a vida toda usei sempre a mesma saída: ‘tanto faz’. É genial, com duas simples palavras você atribui toda a responsabilidade ao infeliz que te mandou escolher. Mesma coisa que o ‘pode ser’ (querido slogan da Pepsi) que sempre refletiu a minha preguiça de decidir e o medo de fazer isso errado. Hoje eu sofro o duplo reflexo disso.

  Primeiro é o meu excesso de passividade. Acabei não sabendo dizer não pra ninguém, tendo que aturar gosto alheio porque simplesmente mandei um ‘tanto faz’, sendo que o que eu queria dizer mesmo era ‘acho podre pra caramba hein’. Ok, não tão direta assim, mas seria um alívio se eu soubesse evitar pessoas que não gosto e situações desagradáveis em geral.

  Além disso, terminar o colégio implica na tomada de algumas decisões bem importantes, e é nessa hora que eu não sei nem por onde começar a pesar a balança. Meus pais querendo criar raízes nessa cidade e eu querendo estar bem longe – bem ao sul – disso. Vou recorrer a quem? Se perguntar para os meus amigos, com certeza eles dirão para eu me mudar logo pra lá, pena que para isso eu tenha que criar uma independência quase que instantânea: morar sozinha e levar uma vida nova, diferente e cheia de responsabilidades que talvez fossem desnecessárias se eu ficasse por aqui. Se eu perguntar para os meus pais o que eu devo fazer, acho que a resposta mais provável seria morar com eles até meus trinta anos, hahahah.

  No exterior é bem comum sair de casa – e até uma certa vergonha para aqueles que não fazem isso. Claro que lá as condições econômicas são bem mais favoráveis que aqui, onde estudante pra se manter sozinho tem que se matar trabalhando. Mesmo assim, minha opinião tende para o lado de que eu deveria aprender a me virar sozinha enfim. O único contra, nesse caso, é o medo. Medo de não estar preparada pra tantas mudanças. Medo de errar. Medo de decidir. ‘Tanto faz’ não vai mais funcionar se eu quiser andar com as minhas próprias pernas.

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