Vai e vem*

Deitávamos na areia e não éramos nada além de nós. Éramos o bom e o ruim coexistindo, transpirando em uma pele cansada, sob olheiras de noite em claro. O cansaço não nos permitia encenações. Flares embaçando nossos olhos em direção ao sol. Você ria. E você era o você de antes e eu também. Porque o que você é hoje não me agrada. E o que eu sou hoje já é tão diferente que não faria sentido. Agora eu fecho os olhos. Eu ouço o mar e ouço você. Porque desde que eu fui e você se calou, o mundo silenciou para que eu pudesse transformar tantos quilômetros em uma distância que coubesse apenas nós dois. Você e eu. Para que eu pudesse ouvir a sua respiração. Olha que banal e ao mesmo tempo tão necessário. Não éramos nada além de nós. Não somos nada além de nós. Somos equilíbrio. Paz. Somos dois corpos deitados na areia. Dois corações acompanhando o vai e vem do mar.

*escrito em dezembro de 2010.

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